Proclamação da República: A História Não Contada

Dia 15 de Novembro é o dia de “celebrar” (entre aspas mesmo) o dia de início do regime que ainda vigora em nosso país.

Sem delongas, o regime foi fundado através da traição, da quebra de juramento à pátria, e da quebra de uma aliança feita diante da Constituição Nacional. O que meros 2 anos depois deu ao Brasil o seu primeiro ditador, tipo tirano da classe de Solano Lopes que mandou crianças paraguaias para o front de guerra.

Um homem chamado Deodoro da Fonseca, que possuía o título de Marechal (a mais alta patente do exército do Brasil), nomeado homem de confiança pelo Imperador Dom Pedro II à quem prometeu lealdade em juramento, decide do nada, após saber que o Imperador ia nomear um dos seus desafetos como Ministro, simplesmente irromper contra seu juramento à nação e destituir um governo legal usando o Exército Imperial. 

Vale salientar que o desafeto de Deodoro com Gaspar Silveira, (Primeiro Ministro do Brasil) era nada mais nada menos porque Gaspar conseguiu a mulher que Deodoro era apaixonado. Que motivo “nobre”, não é?

Como Deodoro não queria ver o homem que roubou sua mulher sendo um dos homens mais poderosos do país, decide cair na lábia de deputados republicanos escravocratas e alguns homens até que intelectuais (mas fantasiados com a “conjectura” e fantasia de um futuro que até hoje o Brasil não alcançou) e decidi assinar um documento "proclamando" a queda do regime legal.

Daí o Exército vai ao Paço Imperial, derruba a bandeira Nacional ao chão, e toca a infâmia de um hino estrageiro, o da revolução francesa (já iniciando o processo “delete” da identidade histórica do país).

Os episódios seguintes são lamentáveis: O exército faz com que um Líder Constitucional nos seus 65 anos de idade entre com sua esposa de madrugada em um navio às pressas para encontrar casa em outro lugar, e para “amenizar” vai ao tesouro nacional e pega algumas barras de ouro para não deixar a Família Imperial “desamparada”.

Sabendo Dom Pedro II que aquilo era dinheiro público, não aceita e os repreende dizendo que não aceitaria porque aquilo era um “roubo público”.

O resultado foi que o Brasil perdeu a nobreza de seus nobres e deu lugar a novos nobres, mas sem nobreza nenhuma. À lembrar o tio-avô de FHC, Joaquim Inácio Batista Cardoso, que sugeriu não expulsar a família imperial, mas a fuzilar todos. Posteriormente seu sobrinho-neto veio a ser presidente do país e até hoje é uma das famílias mais poderosas do país.

Dom Pedro II sai, e entra os lacaios que estão por aí até hoje, usurpando e ferindo a nação com seus projetos de poder.

O fim do mandato do primeiro “presidente” do país não poderia ser menos infame do que o começo: Os deputados republicanos decidem colocar Deodoro na presidência com receio de ele mudar de ideia sobre a república com o mesmo desequilíbrio emocional com que aceitou, mas dois anos depois o cara não consegue lidar com uma nação tão grande e renúncia ao cargo. Antes, em suas crises, havia fechado o congresso nacional e agora governava por decreto e com repressão armada. 

O fim disso foi a "vice-presidência" assumir. Floriano Peixoto então inaugura a conhecida República da Espada e mata só na Bahia 25 mil pessoas tentando calar a insatisfação do povo, em 1891 o Brasil prova sua primeira crise econômica pois tinha seu primeiro “Ciro Gomes” como ministro da Fazenda, o que diga-se de passagem foi exilado do Brasil apenas por discordar do então “presidente” Floriano Peixoto, e toda essa bagunça vem se replicando até hoje, 2021. Sem mencionar que para facilitar Floriano também fechou a Suprema Corte do Brasil. Ou seja: os fuzis agora nos governavam.

Lembrando que Floriano Peixoto só assumiu porque o novo regime fez o favor de rasgar a recente Constituição Federal (algo infelizmente comum até hoje) que eles mesmos fizeram, pois ela previa que após 2 anos de mandato em caso de impedimento ou renúncia o país deveria ter novas eleições indiretas (não era direta porque o povo era monarquista e facilmente rejeitaria os novos ditadores).

Nosso infame primeiro presidente, que não era Republicano, aceitou ser presidente mas de forma temporária, pois a ideia era submeter em plebiscito se o povo queria um presidente ou um monarca. 

O fato interessante é que sabendo que o brasileiro era majoritariamente monarquista, o plebiscito foi sendo adiado pelos seus sucessores, vindo a acontecer apenas em 1993 depois de um longo projeto de ressignificação da identidade do país.

Ir para o jogo só quando se pode ganhar é fácil, não é?

Agora me diz, 15 de novembro é para celebrar o que mesmo?

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